Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Arquivo Alfabético Poético

Oi, minha gente,

Hoje eu vou postar sobre um material muito especial. Especial porque é um material que vem sendo feito há tempos. Porque é cheio de possibilidades.... nada está pronto de antemão..... Especial também porque é um material meio trabalhoso e dispendioso (mas pensaremos em adaptações). Mas, especialmente, porque foi o primeiro material todo pensado a quatro mãos. É o Arquivo Alfabético Poético. Esse é um dos kits de Arquivos Poéticos, junto com outros que venho pensando, como o de Sergio Capparelli, já postado aqui.

Tive essa ideia do Arquivo Alfabético desde que fiz um post sobre os abecedários poéticos, lembram? Está no link Abecedários Poéticos.  A ideia era fazer um arquivo, um fichário mesmo, com fichas separadoras, indicando as letras de A a Z. Só que seria um arquivo a partir de livros que trazem o alfabeto com poemas ou jogos de linguagem. Em cada parte, colocaríamos os poemas, de cada livro, dedicados àquela letra do alfabeto indicada na linguetinha do fichário. 

Veja na figura uma ideia do que é.

O Arquivo Alfabético não apresenta, nesse caso, atividades para esses textos/livros – ao menos não ainda, mas já temos planos de pensar em incluir sugestões – mas sim os próprios textos, com suas ilustrações. Vocês podem se perguntar “sim, mas se temos os livros, para que o arquivo?” – pergunta bem pertinente. Os livros são fundamentais. Mas pensamos que ter esse material em forma de fichas seria bem interessante, pois podemos manipulá-las independentemente, trabalhando com todos os textos de uma determinada letra, por exemplo, ou todos os textos de um mesmo autor/livro.  A ideia do fichário com esse tipo de texto de alfabeto vinha me perseguindo faz tempo...

Pois bem, quando compartilhei essa ideia, ainda um esboço, com Ana Lúcia Antunes, minha amiga de longe e já parceira naquela essa altura, ela logo comprou a ideia e passamos a desenvolver juntas o projeto. Da ideia inicial foram surgindo outras, e também pequenas questões foram aparecendo. Primeiro selecionamos os livros – há muitos! – cada uma de nós conhecia um tanto, cada uma ia descobrindo novos, que cabiam no arquivo. Foi uma pesquisa muito bacana. 


Assim, nessa primeira versão do Arquivo, que pode crescer ainda, entraram 16  livros, de vários autores e editoras (ver lista dos livros abaixo, na nota do post). Temos ainda o ABC Doido, de Ângela Lago, que estamos avaliando se entrará nesse arquivo ou constituirá um kit próprio. No fichário, de cada livro, tem as fichas correspondentes a cada letra e a capa.

Exemplo da parte correspondente à letra A do Arquivo:


Tomamos conhecimento, em nossas pesquisas, de uns livros desse tipo muito legais, de Portugal, mas apenas um deles consta no arquivo, pois Ana conseguiu encontrá-lo. Os outros conseguiremos em outra oportunidade.

O projeto foi todo pensado e elaborado junto com Ana, desde a escolha e a digitalização (escaner) dos livros até a concepção do material – como seriam as fichas, o tamanho delas, como resolveríamos a inclusão das imagens em alguns livros, o jeitão das fichas separadoras, o aumento da fonte dos textos em alguns casos etc. Nos complementamos muito bem em todas essas etapas, Ana sempre experimentava tudo rapidinho e trazia ótimas ideias e soluções. Uma decisão muito importante, que vislumbrei desde o início, foi a de colocar cada livro/autor em fichas de uma mesma cor, assim poderíamos tanto usar o material pela letra que o texto homenageia (tipo todos os textos que falam da letra A), como usar todos os textos de um mesmo autor/livro, indicado pela cor da ficha em que esses textos são colados. Mais tarde veio a ideia do “flex”... Volto a ela, já já.

Com todo o material digitalizado, pronto para imprimir, Ana, no entanto, saiu na frente na produção efetiva do Arquivo – impressão, montagem, plastificação, confecção da caixa. Como estou muito ocupada e com as vistas meio comprometidas, adiei um pouco a confecção do meu. Assim, o que mostro aqui nas fotos para vocês é o Arquivo de Ana, que já está prontinho, pois ela queria começar o ano já usando com sua turma. Nada como uma boa motivação para pormos a mão na massa, né? 

Essa iniciativa de Ana foi muito importante para irmos testando e revendo algumas coisas do Arquivo, pois no fazer mesmo, com a mão na massa, apareceram muitas outras questões a serem resolvidas. Íamos discutindo as saídas, as possibilidades, experimentando e achando as soluções. Assim, Ana tem muitas dicas a dar sobre a confecção, e vai contribuir com isso num próximo post. Esse aqui é só para apresentar o material.

Para fazer a caixa do Arquivo mesmo, foi uma novela. Á medida que as fichas iam ficando prontas, é que íamos tendo a dimensão do tamanho da caixa que precisaríamos para guardá-las. E essa tal caixa ia aumentando, aumentando. Ana ia de lá mandando dizer quantos centímetros já mediam tantas fichas de livros prontas, e eu de cá tomando susto! Não tínhamos essa noção. Mas foi divertido nos surpreender com um tamanho jamais imaginado. Ou seja, íamos descobrindo como fazer o kit, fazendo-o. E descobrimos que era preciso mandar fazer a caixa sob medida, para ser forte e grande o suficiente, sem folgas desnecessárias nem apertos, pois o material era pesado também, quando plastificado na gráfica. Só foi possível descobrir isso com as fichas ficando prontas. Além disso, precisaria ficar esteticamente bem arrumadinho na caixa e com folga para manusear as fichas, procurar fichas pelo meio do arquivo, mexer os separadores para lá e para cá. O jeito que Ana pensou para a caixa é fantástico, bem como um arquivo mesmo, que ao abrir vemos as linguetinhas de fora. Mas demorou um pouco de acertarem fazer isso onde ela encomendou. A primeira caixa que ela mandou fazer ficou apertadinha, embora linda, vejam:



Ela ainda está buscando a caixa perfeita, pesquisando daqui, medindo dali, tomando susto se eu descubro mais um livro que pode virar ficha. A ideia é que fique mais folgadinha, como essa, ao lado, provisória. Ou seja, em breve, Ana nos dará a dica da caixa ideal e a novela terá, enfim, um fim. 

Os vendedores de lojas, bem como nossos maridos, nos acham meio doidinhas... Rsrsrs!!! 

Com o material já sendo confeccionado por Ana, pensamos também em fazer as fichas separadoras “flex”. “Como é isso?” – perguntou Ana, achando que eu estava inventando coisa. Ah, nada mais é do que ter a ficha separadora de um lado com as letras do alfabeto, para separar no fichário o material por letras (todos os textos de cada letra do alfabeto) e, virando a ficha separadora, para separar por autor/livro, ter a linguetinha com a cor correspondente ao livro, a cor das fichas daquele autor. 


Vejam que, assim, podemos arrumar o fichário de dois jeitos diferentes, por letra ou por cor, a depender de como vamos usá-los com as crianças. E Ana deu corpo a essa ideia fazendo com muito esmero suas fichas separadoras. Plastificadas, as linguetinhas com as letras de um lado e a cor do outro ficaram um show!

Como eu disse no início, o Arquivo Alfabético Poético não indica, em si, as possibilidades de uso do material, mas elas são infinitas. Ana pretende postar, em algum momento, algumas sugestões ou atividades que desenvolver em sua turma. Eu também prometo fazê-lo de tempos em tempos. Mas cada um pode – e deve – explorar o Arquivo, bem como os livros a partir do qual é feito, de muitos jeitos. Só ler os textos já é bem bacana. Trabalhar as letras assim, no contexto de textos poéticos, certamente será uma delícia! Por outro lado, cada livro/kit de fichas poderá apresentar possibilidades diversas, por sua própria natureza, assim como cada textinho pode dar atividades interessantes independentemente de seu conjunto, como fiz uma sugestão no post que está no link O que se vê no R, a partir do poeminha de Elias José para a letra R, ou no link  O que se vê no Q, para a letra Q.

Bom, minha gente, por ora é isso, apenas para apresentar o material, o Arquivo... Ele está lindo assim, não acham? Mas é possível fazer adaptações para simplificar e baratear a confecção, para mais pessoas poderem experimentar fazer um Arquivo para o seu grupo, mesmo que não entrem todos os livros. Em breve postaremos mais sobre ele, com essas dicas.

Agradeço a Ana por compartilhar as fotos de seu Arquivo pronto com a gente, além, claro, pela parceria nesse projeto que agora é totalmente nosso, totalmente compartilhado. Vejam mais fotos no post de Ana, no link Álbum Arquivo Alfabético Poético. Não está lindo, colorido,  maravilhoso?!!!! Pois é... A gente chega lá! Eu chego lá!!!

Ah, lembrem que, de qualquer modo, apenas a indicação dos livros usados no arquivo já é também uma boa sugestão para trabalhar com as crianças, heim? E, como sempre digo, ter os livros, manuseá-los, lê-los, é fundamental.

Espero que gostem,
Um abraço,
Lica

Lista dos Livros do Arquivo Alfabético Poético:
  1. Uma letra puxa a outra (José Paulo Paes). Companhia das Letrinhas 
  2. O que se vê no abecê (Elias José). Ed. Paulus
  3. As Letras (Lalau e Laurabeatriz). Ed. Amarilys
  4. Palavras, muitas palavras (Ruth Rocha)
  5. No Balancê do Abecê (Elias José). Ed. Paulus
  6. O Batalhão das Letras (Mario Quintana). Ed. Globo
  7. Bichodário (Telma Guimarães). Ed. Escala
  8. De Letra em Letra (Bartolomeu Campos de Queiroz). Ed. Moderna
  9. Alfabetário (José de Nicola). Ed. Moderna
  10. ABC quer brincar com você (José Santos). Ed. Companhia Editora Nacional
  11. ABC das Rimas (César Obeid). Ed. Salesiana
  12. Bichionário (Nilson José Machado). Ed. Escrituras
  13. Quem lê com pressa tropeça (O ABC do trava-língua). (Elias José). Ed. Lê/Casa de Livros.
  14. ABC e Numerais: pra brincar é bom demais. (Tatiana Belinky). Ed. Cortez
  15. Alfabeto dos bichos (José Jorge Letria). Ed. Oficina do Livro
  16. ABC (Tatiana Belinky). Ed. Elementar