Uni, duni, tê, salamê, minguê...

Uni, duni, tê, salamê, minguê...
Materiais a partir de textos da tradição oral

sexta-feira, 15 de março de 2013

Festa das Letras


Gente,
Meu pequeno Joaquim - já não mais tão pequeno - fez 6 anos... está na Alfabetização - no primeiro ano! E como agora a escrita e a leitura fazem festa lá em casa, considero importante registrar aqui o seu aniversário, que foi , justamente, a Festa das Letras! 

Eis o convite, onde escrevi o nome de cada convidado no quadrinho em branco. Vi essa ideia de convite uma vez num site ao pesquisar um pouco para fazer essa festa.


A festa foi na escola, tinha tudo a ver fazê-la lá, com seus colegas que estão no mesmo barco, nessa aventura com as letras. Como isso é assunto de alfabetização, e como para uma mãe que trabalha com isso esse é um momento especial, registro aqui no blog o que vivenciamos para essa comemoração dupla: do nascimento e do início formal do processo de alfabetização. Digo formal porque as crianças não esperam datas nem autorizações para aprender e a pensar na escrita - nem em nada -, não é? Assim, pensar em letras, sons, palavras, textos e tudo o mais, são eventos constantes no dia a dia de Joaquim, desde muito tempo, muitos desses eventos registrados em um caderninho que intitulei "Eventos de Letramento do Joaquim", e que tem pérolas desse processo. Já virou até artigo,  que já foi publicado, e em breve vou ver como disponibilizo para vocês.

Bom, voltando ao aniversário, na onda da animação para aprender a ler, tivemos essa ideia da Festa das Letras juntos, já faz algum tempo, e ele nunca esqueceu, sempre falava... Já é praxe na nossa família, e sabido pelos amigos e colegas, que os aniversários de Joaquim sejam sempre assim inventados, diferentes e home made mesmo, "feito-em-casa", como se diz. Já fizemos por exemplo um grito de carnaval a fantasia, muito legal, e a Festa dos Monstros, no ano passado, que foi show de bola, com aqueles monstrinhos de pano que fiz de lembrancinha e que até hoje os amigos têm como naninha para abraçar na hora de dormir. Um dia eu mostro!

Assim, desde algum tempo já animado com a ideia da Festa das Letras, Joaquim sugeriu algumas coisas para a festa, como jogar bingo de letras no dia, fazer biscoitinhos de letras para a lembrancinha, colocar letras no bolo. Assim fizemos. A ideia era fazer as letras dos nomes de cada criança e cada uma ganhar seu saquinho com suas letras para se deliciar. Mas delícia também foi a preparação.Como não achei cortadores médios, fizemos  biscoitinhos e biscoitões: os nomes inteiros de biscoitinhos de letras e a letra inicial grande. 

Biscoitinhos sendo feitos, 4 tipos de massa, normal, integral, polvilho e chocolate:





E os biscoitinhos prontos:

A vez dos biscoitões, em massa e assadinhos, de polvilho e de chocolate:

Foi um trabalhão para concretizar essa ideia de Joaquim, que certamente veio de nossas outras investidas em fazer biscoitos em casa. Já teve até de lembrancinha, uma vez, biscoitos que iam com a receitinha digitada em um papel de caderno,  imitando até as manchinhas de cozinha, gordura e farinha. Pois ele deve ter juntado isso com as a ideia das letras e tchanram! 

Para o toque final, inventei mais uma coisa: Joaquim escreveu, em cada inicial grande, o nome dos colegas com canetinha comestível. Ou ele olhava numa lista e copiava, ou eu dizia as letras e ele escrevia. 


A essas ideias dele - os biscoitos e o bingo - eu juntei outras, como o Caça-palavras com o nome dos convidados no verso do convite e o poeminha das letras iniciais de cada um, que foi nos saquinhos de biscoito (todas dos livros O Batalhão das Letras, de Mario Quintana, ou de Uma letra puxa a outra, de José Paulo Paes). A preparação foi trabalhosa, mas muito divertida!



Aliás, os poeminhas também foram para a decoração, junto com uma versão maior do Caça-palavras, com as respostas, para todos que não acharam seus nomes poderem achar. A professora ficou de depois ler com eles e continuar a brincadeira.


Uma letra puxa a outra e era letra para todo lado! Na mesa, letras de e.v.a e dados de letras se misturavam às comidinhas. Na foto, a mesa ainda em arrumação. E no bolo - ah, o bolo ficou como gosto, simples e bonito - coloquei balas de gelatina de letras Fini e ficou bem colorido. Vejam:



Depois dos parabéns, dos abraços contagiantes, dos presentes e das lembrancinhas, propomos as mesas de jogos e jogamos variações do bingo, todos do meu acervo. As crianças se dividiram em três grupos, cada um com um adulto ajudando e "cantando" as letras. Uma animação só! 

Um deles era um Bingo de Letras normal, só de identificação das letras.


Mas jogamos também o Bingo de Letras-Palavras, em que as letras formam palavras, embora a criança só tenha mesmo que procurar em sua cartela a letra que foi "cantada". Nesse caso, há várias letras repetidas na cartela, e têm que marcar todas. Esse jogo tem uma variação mais desafiante, para adiante, como vocês podem ver mais abaixo. 


Por fim, jogamos também o 4 Cartelas, que é como um bingo, com as letras de uma palavra na cartela, mas só que cada jogador só pega uma palavra de cada vez. Também nesse caso jogamos a versão do jogo que solicita das crianças apenas o reconhecimento das letras "cantadas". 


Esse jogo também tem uma versão mais desafiante, em que as crianças têm que imaginar a palavra escrita, pois em vez de ter as letras nas fichas, tem os quadradinhos vazios, apenas a figura é indicada. E em vez de marcar com feijões ou outro marcador qualquer, têm que preencher os quadrinhos, cujas letras foram "cantadas", com fichas de letras. O desafio aí é para os que têm hipóteses de escrita alfabética ou silábico-alfabética. Vejam as duas versões abaixo:


A outra versão do Bingo de Letras-Palavras tem no mesmo princípio, as crianças têm que colocar as fichas de letras nos quadradinhos correspondentes à medida que as letras são "cantadas" e, para isso, precisam ir pensando em como se escreve aquela palavra, representada na cartela apenas pela figura. 

Para esses dois jogos, o interessante é poder ter as crianças de uma mesma sala jogando o mesmo jogo, só que com desafios diferentes, de acordo com o domínio da leitura e escrita de cada uma. E heterogeneidade na sala de aula é o que não falta, não é? Salas homogêneas não existem! 

Enfim, gente, a festa foi simples, mas muito legal. Espero que tenha sido uma "cosquinha" em cada uma das crianças, para se aventurarem com gosto na aventura da escrita.

Meu pequeno - já não tão pequeno - está muito animado!
Beijos,
Lica