Uni, duni, tê, salamê, minguê...

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Materiais a partir de textos da tradição oral

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Primeira provocação sobre o abecê nordestino

Gente,
Apesar de Luiz Gonzaga entoar, em seu ABC do sertão, "Lá no meu sertão pros caboclo lê/Têm que aprender outro ABC...", eu, menina da cidade, aprendi assim também... 

O levantamento informal que tenho feito há tempos sobre isso, já me deu alguma notícia de que na Bahia isso era também coisa da capital e, em alguma medida, ainda é, aqui e ali... 

Os nossos estagiários da Faculdade nos dão notícias de como veem isso nas escolas e, agora, com uma pesquisa mais formalizada, vamos conhecer de forma mais ampla como andam as coisas por aqui, na capital e em outros municípios...

É que além de um estudo sobre o abecê nordestino, estou fazendo uma pequena pesquisa sobre o uso do alfabeto nordestino no ensino da escrita. Fiz um questionário breve sobre o tema, para aplicar com professores de redes municipais baianas e de escolas particulares também. 

Aguardem o estudo sobre o uso do alfabeto nordestino, abecê nordestino, alfabeto do Nordeste ou, como preferem alguns, abc do sertão. E os resultados dessa mini pesquisa!

Enquanto isso, vou postar aqui, como no Facebook, algumas provocações para ir abrindo o apetite! Posto aqui também para agrupá-las, guardá-las, pois lá ficam perdidas no tempo, dispersas e pouco disponíveis ao reencontro...

Primeira provocação sobre o abecê nordestino:

Para aqueles que argumentam contra o nosso alfabeto dizendo que não se diz Guê 2 para G2 (Garagem 2), bê cê guê, para a vacina BCG, nem guê nê tê, para GNT, advirto: dizíamos, por exemplo, fê nê mê, para a antiga, mas famosa, marca de caminhões FNM, a primeira a fabricar caminhões no Brasil – foi o povo que assim a nomeou, e a fábrica nem foi instalada no Nordeste!

Veremos que esse tipo de argumento não constitui prova de que certo modo de pronunciar as letras é que é certo...

Soube eu que na USP, a Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, cuja sigla é FFLCH, se pronuncia, na intimidade, FeFeLéCh, e não EfeEfeEleCh (e já confirmei com alguns paulistanos), usando uma aproximação do som e não o nome oficial da letra (também para o CH, o som). E isso deve ser pra facilitar, né? EfeEfeEleCh é quase um trava-língua...

Falaremos sobre isso de facilitar, aguardem... e não tem nada a ver com nordestino gostar de coisa fácil...vamos guardar as conclusões "fáceis", que além de preconceito só mostram desconhecimento da complexidade das coisas...

Mas voltando a elas, as letras, o MMC e MDC, como vocês dizem por aí? Aqui, no meu tempo, era mêmêcê e mêdêcê mesmo... E olha...isso é na capital, não é no sertão, não, viu gente?

Enfim...vamos às próximas provocações e, em breve, aos posts e às novidades sobre o tema.


Abraços,
Lica

P.S. Mais sobre a FNM, aqui.

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